12 verdades que todo estudante de Direito conhece bem

Achou que depois de fazer o ENEM ou Vestibular e conquistar a aprovação, tudo ia ser moleza?

A vida de um estudante de Direito não é fácil. São cinco anos de faculdade estudando sem parar, lendo livros e mais livros, interpretando leis e enfrentando alguns professores carrascos apenas para descobrir que, ao formar, a jornada está apenas começando.

Quem estuda Direito não pode respirar aliviado ao colocar suas mãos no diploma, pois a carreira jurídica nunca tem fim. Trata-se de um longo caminho repleto de aprendizados e mudanças constantes.

Existem ainda certas verdades que todo mundo que estuda ou já estudou Direito conhece bem. Pensando nisso, montamos uma lista com 12 situações e temos certeza que você vai se identificar com, pelo menos, uma delas. Confira!

1. Livros por todos os lados

Um lugar bem-conhecido de qualquer estudante de Direito é a biblioteca da faculdade. A leitura incessante faz parte do dia a dia de quem deseja seguir a carreira jurídica.

Não é à toa que existem pilhas e pilhas de livros espalhadas por todos os lados do quarto e da casa daqueles que estão nos últimos períodos do curso.

2. Teorias e mais teorias

Sem dúvida, nada é certo no mundo jurídico. Na verdade, a área de humanas, em geral, é preenchida por discussões que muitas vezes transcendem o certo e o errado.

No curso de Direito, o estudante vai se perder em meio a tantas hipóteses diferentes que permeiam cada uma de suas disciplinas. Sempre existe aquele autor que diverge de todos os outros, apresentando uma interpretação totalmente diferente para uma questão jurídica. Os livros e as aulas são repletos de teorias que fazem a mente do estudante fervilhar com tantas informações.

E pode se preparar, pois muitas provas e concursos exigem o conhecimento e o nome de várias dessas teorias!

3. O peso do Exame da OAB

Durante os cinco anos de curso, existe uma sombra que paira sobre a cada de cada estudante de Direito: o temível Exame da OAB.

Com índices de reprovação altíssimos, é normal que os alunos se preocupem com essa prova desde o início do curso. Afinal, a carteira da OAB é essencial para aqueles que desejam seguir a carreira jurídica, e ela só é obtida após a aprovação no Exame da Ordem.

4. Obter o diploma é apenas o começo

Quem estuda Direito deve saber que, mesmo após se formar e ser aprovado na OAB, os estudos continuam.

A carreira de um advogado exige atualização constante dos conhecimentos jurídicos, até mesmo porque as leis e jurisprudências são modificadas diariamente. Ter o diploma em mãos é apenas o passo inicial para uma vida cheia de leituras, estudos e aprimoramentos profissionais.

5. Estágio, faculdade e estudos

É comum que o estudante de Direito queira fazer estágio logo no início do curso, afinal, nada melhor do que a prática para ensinar a teoria.

Mas a vida no Direito não é nada fácil, pois, além de lidar com um estágio que, muitas vezes, dura seis horas diárias, o estudante ainda tem que se dedicar às matérias da faculdade e ainda se preocupar com os estudos, principalmente para a prova da OAB.

Quem acha que o curso de Direito é mole, não sabe o que está falando!

6. Vade Mecum na ponta da língua

Uma das coisas mais comuns entre aqueles que estudam Direito são os amigos e familiares que acham que você tem a Constituição e o Código Civil decorados em sua mente.

As pessoas de fora tendem a pensar que o estudo jurídico envolve memorização acima de tudo. É claro que, em alguns casos, isso é verdade, mas, em geral, a compreensão da matéria é muito mais importante do que a decoreba. É raro que um estudante tenha a resposta para todas as perguntas dos curiosos na ponta da língua.

7. O quebra-galho da família e dos amigos

Outro fato bastante comum é aquele familiar, amigo ou conhecido que está com algum problema jurídico e acha que o estudante de Direito pode dar uma “ajudinha” na situação.

Muitas pessoas sequer entendem que, sem o diploma e a carteira da OAB, não há muito que possa ser feito. E como explicar isso para eles? É uma situação um pouco constrangedora, mas que vive acontecendo.

8. Jurisprudências

Como se não bastassem as teorias e leis que todo estudante tem que conhecer, ainda é preciso estudar as jurisprudências dos tribunais!

Quem tem vontade de fazer estágio em escritórios de advocacia tem que estar preparado para pesquisar e estudar muita jurisprudência, pois essa é uma das melhores maneiras de se argumentar em um processo.

É a jurisprudência que, na maioria das vezes, dita as “regras do jogo”.

9. A ficção não imita a vida

Todo mundo adora filmes e séries com temas jurídicos. Muita gente, inclusive, escolhe o curso de Direito justamente por isso, mas pode acabar se decepcionando.

É preciso ter em mente que a maioria das ficções jurídicas tomam como base o modelo americano do Direito, que é muito diferente do brasileiro.

O mundo jurídico é composto muito mais pela escrita do que pela oralidade. Ainda assim, existem casos que se assemelham aos filmes e séries, como o tribunal do júri, por exemplo.

10. Bom português é essencial

Como foi dito no tópico anterior, a escrita faz parte do Direito. Logo, é essencial que um advogado saiba escrever bem. O português é, inclusive, uma disciplina presente na grade curricular de muitos cursos jurídicos.

Nada é pior do que um processo em que as petições estão extremamente mal-redigidas. Isso é vergonhoso ao advogado e ao universo jurídico como um todo.

11. Filas de espera

Quem já fez estágio sabe muito bem que as filas de espera fazem parte do seu dia a dia.

Seja para protocolar uma petição, fazer o reconhecimento de firma em um cartório ou aguardar uma audiência no tribunal, é preciso ficar um bom tempo nas filas de espera.

Mesmo depois de formado, as filas permanecem.

12. Concursos públicos

Não é nenhuma surpresa que, no Brasil, a maioria das pessoas que escolhem fazer Direito querem ser aprovadas em um bom concurso público e seguir essa carreira.

Aqueles que desejam trabalhar com a advocacia causam até espanto. Se você é um desses, com certeza sabe o que lidar diariamente com perguntas como: “Não vai fazer concurso público?”, “E a estabilidade?”, “Você não pensa em ser juiz?”. Quem é de fora parece pensar que seguir a carreira pública é praticamente uma obrigação do bacharel em Direito.

Qualquer estudante de Direito já se viu diante de uma dessas situações em algum momento do curso. Se você está começando agora, prepare-se, pois ainda vai chegar sua vez! Assim como qualquer outro curso, o Direito tem suas peculiaridades. Talvez a mais famosa delas seja a quantidade de leitura exigida.

Mas não se assuste! É um curso que vale a pena e nada é mais gratificante e enobrecedor do que o conhecimento adquirido ao longo dessa jornada.

E aí? Gostou da nossa lista e se identificou com algumas dessas verdades? Então aproveite e compartilhe este post com seus amigos e colegas nas redes sociais para que eles também se identifiquem!

Faltam 50 dias para a prova da 1ª fase da OAB.

Com o edital do XXIV Exame da OAB publicado e com muita gente estudando desde então (ou pelo menos deveria), chegamos à parada dos 50 dias antes da prova. Como gosto de ilustrar, uma preparação é como uma trajetória de trem, destas que a gente se acostumou a ver nos filmes. Assim como toda viagem de trem, há estações, ou seja, paradas.
Há várias estações para se observar o que já se andou e o que ainda falta para chegar no destino final: a prova. Assim, nesta trajetória, é importante destacar que quando passamos da estação “50” o caminho está ficando mais tenso, cheio de emoções, e o tempo começa a sair de coadjuvante para ser protagonista. Certamente, ele embarcará nesta estação e irá lhe acompanhar na sua cabine até o final como um passageiro, cuja presença incomoda no sentido de não passar desapercebido.
Enxergo o tempo como um passageiro que ficará lhe perguntando a todo instante: “falta muito?”, “está fazendo o quê?”, “esse material aí vale a pena?”, “quer dar uma voltinha pelo trem?”, “quer sair para comer ou beber algo?”, enfim, um passageiro chato e arrogante! Sabe porquê? Ele vai estar lhe lembrando a todo instante que ele é importante demais na sua vida.
Assim, nada mais desagradável que alguém lhe importunando, pois já basta os desavisados que não cansam de perguntar: “só estuda?”, “ainda não passou?”, “porque não passou?” ou perturbar que “a prova da OAB é fácil”, “sua prima mais nova já passou”, “é só acertar 50%”, “não tem concorrente” etc. e tal.
Mas já vai se preparando para a próxima estação, que será a “30” ou “1 mês” para prova. A partir dela, novos passageiros embarcarão: angústia, tensão, cansaço, pressões, etc. Veja bem, mais próximo da prova, mais problemas devem surgir para querer te tirar a atenção nos estudos. É preciso ter foco no destino final, qual seja, a aprovação no dia da prova. Para tanto, há muitas ferramentas para fomentar os seus estudos.
Aqueles que se distraem facilmente, sugiro se comprometerem com “algo externo”, como, p.ex., um curso preparatório. Não tenho dúvidas que ele irá criar o hábito do comprometimento. Não só isso, acaba gerando um efeito dominó, porque sua atenção será direcionada apenas ao que interessa neste tempo até a prova. Assim, você se comprometerá com livros especializados, com as dicas de professores, com um planejamento adequado e organização dos estudos, com a resolução de questões de provas anteriores bem como simulados.
Para tanto, fizemos um levantamento entre os principais preparatórios para OAB do país e a conclusão é mais do que evidente: a plataforma Saraiva Aprova é a melhor. Confira todos os itens avaliados e a escolha às cegas, clicando aqui.
Lembre-se que são 17 disciplinas na 1ª fase da OAB e que o XXIIIº Exame de Ordem “bagunçou” toda a distribuição de questões por disciplina. O novo mapa da prova da OAB você pode conhecer, clicando aqui. Importa vocês terem maior atenção nas disciplinas com maior aderência na prova. Em outras palavras, não adianta estudar apenas as disciplinas e matérias que vocês gostam, porque, certamente, não deve atingir a metade dos pontos possíveis. P.ex., se tenho dificuldades com Direito Constitucional, que são 7 questões. Vou deixar para depois? Claro que não! É preciso superar para angariar o maior número de pontos possíveis.
É importante também manter (ou ter) um planejamento vencedor. Para quem ainda não tem, nossa sugestão é estudar 2 disciplinas por dia. É uma forma de manter atualizadas semanalmente. Você pode ter maiores detalhes, assistindo ao nosso vídeo sobre como fazer este planejamento no canal do Youtube da Saraiva Aprova. Pode ainda baixar o kit planejador da Saraiva Aprova, totalmente, grátis, clicando aqui.
Por fim, se você procura material grátis, como simulados, e-books, planejador, etc., sugiro acessar o blog da Saraiva Aprova: clique aqui. Todas estas dicas é para que o restante da jornada lhe traga mais conteúdo para a última estação seja de APROVAÇÃO! Bons estudos.
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Escolhendo a disciplina da 2ª Fase da OAB

A principal pergunta que surge durante a inscrição do Exame de Ordem é “qual disciplina irei optar para realizar a 2ª fase”. Não há outra dúvida tão cruel como esta. Pior quando ela já se arrasta antes da publicação do edital e você está longe da solução.

O mais engraçado é que esta dúvida não deveria acontecer só quando o estudante de Direito torna-se candidato e nem deveria ser respondida por alguém que desconhece por completo o histórico acadêmico e profissional dele. Sim, se eu não sei a resposta, porque outro deveria saber? Na verdade escolher uma das sete opções que OAB oferece é tão pessoal quanto escolher o próximo amor da sua vida! Somente no caso de seus amigos ou amigas terem o poder de escolher a sua nova paixão é que será permitido também que eles ou outras pessoas confiáveis possam apontar qual a disciplina a ser optada…

No meu caso, em particular, acabei optando a disciplina pelo pior critério possível: o da facilidade da prova. Optei por trabalho, porque tinha “menos peças profissionais” para estudar. Até então, nunca tinha pisado na Justiça do Trabalho, talvez apenas por curiosidade, não fiz estágio nesta área e na faculdade somei minhas notas o suficiente para passar. Portanto, esta área para mim era praticamente inédita.

Segundo meu histórico, civil era a opção natural, mesmo que eu tenha tido excelentes professores em penal e o suficiente para me “divertir” com suas  histórias de promotores, delegados e advogados criminalistas. De qualquer sorte, tive que aprender a matéria que tinha escolhido em três semanas e preparar o material de consulta como “bengala” moral para o dia da prova.

Portanto, sugiro que o critério de escolha não seja apenas por ouvir dizer que tal disciplina é “mais fácil” do que outra, mas rever o seu histórico na faculdade e suas experiências profissionais ou de estágio, pois refletirão na sua formação acadêmica e facilitarão na hora da prova. Talvez julguem processo do trabalho algo simples, até porque ele foi concebido para ser assim, mas o direito material requer um estudo que vai além da remuneração, de suas parcelas e respectivos reflexos.

A disciplina de trabalho tornou-se lenda de ser a “mais fácil” desde 1997 e era a primeira escolha disparada da grande maioria até a OAB reconhecer que “atalhos” para aprovação não seriam bem-vindos. Assim, com toda a legitimidade que lhe compete, começou a “endurecer” com aqueles que buscavam uma aprovação “casual” com provas mais difíceis e correção mais severa. Atualmente, é uma das disciplinas que mais “reprovam” na 2ª fase, apesar de ser uma das mais queridas pelos acadêmicos.

Então um movimento surgiu a partir de dicas de novos advogados que optaram por tributário e logo havia mais tributaristas do que Códigos Tributários Nacionais disponíveis no mercado. Mais rapidamente do que aconteceu com trabalho, a OAB empregou a mesma “cartilha” e os índices de aprovação para aquela disciplina despencaram também. Portanto, estas “ondas” migratórias disciplinares viraram “marolas” e pouco se percebe nos dias atuais.

Assim, ao que parece, atualmente, a escolha da “mais fácil” não é mais o primeiro requisito a ser levado em conta. O candidato está avaliando melhor as opções também em razão das  suas convicções próprias, com base na experiência e no vínculo com a disciplina. Os professores também têm grande influência neste momento, apesar dos evidentes interesses que podem estar envolvidos na indicação, como venderem livros ou cursos.

De qualquer sorte, a preocupação não pode recair tão somente nas peças profissionais, seja pelo grau de dificuldade, seja pelo seu número, pois sem argumento (leia-se a parte “material”) nenhuma terá consistência para angariar pontuação. Além disso, não basta decorar modelos práticos, a prova tem outras quatro questões a serem resolvidas junto com a peça e que exigem conhecimento amplo e aprofundado de direito processual e material.

Se houver dúvida na hora de optar, ela tem que ser “sincera”, ou seja, a reflexão precisa pautar o que realmente importa: seu passado e futuro com as candidatas à escolha. Observar o passado é verificar suas notas na faculdade, seu engajamento até então e a experiência que lhe traz nos dias de hoje. Você pode incluir também seus sentimentos, pois entre as opções pode ter um amor platônico a ser assumido no futuro. Lembre que você terá mais de 40 dias estudando a mesma disciplina, esta projeção para o futuro deve ser considerada, porque se não gosto de penal, p.ex., como ficarei estudando somente ela durante tanto tempo?

Portanto, em primeiro lugar, afaste ou elimine aquelas que de modo algum você gostaria de estudar para a 2ª Fase. Das disciplinas clássicas, a opção mais difícil é  penal e mesmo assim, é a campeã das escolhas segundo a FGV.  Não há preconceito atrás desta afirmativa mesmo que as páginas policiais sejam a sua escola prática. Entendo que é uma opção de perfil, em razão do seu universo próprio e, portanto, deve ser paixão à primeira vista e não um simples “crush”. Em outras palavras, quem está decidido por penal não pensa nunca numa segunda opção e não deve considerada como tal.

“E quanto a civil, professor?”. É a pergunta de R$ 1.000.000,00. Quem chega a esta pergunta, mesmo que tenha sido a disciplina que mais esteve presente no currículo na faculdade, é porque está preocupado com o número de peças que poderia ser cobrado. A parte processual nova também atrai dúvidas, mas lembre de que terá o vade mecum no dia da prova. Veja que apesar de tudo, tem um dos melhores aproveitamentos médio entre as sete optativas.

Tire das suas opções a ideia da “mais fácil”, pois ela está diretamente vinculada a que os outros pensam e propagam a respeito. Todas são difíceis,  mas não impossíveis. Têm aspectos contra e a favor. O ângulo da escolha ou o filtro deverá estar vinculado ao fator pessoal com as disciplinas e não o contrário. Veja que disciplinas mais novas, como constitucional e administrativo, onde é quase inexistente a experiência prática anterior têm grande aproveitamento médio comparado às demais.

Distribuição de inscritos e aproveitamento médio por área na 2ª fase (%):

 

E quem sabe um legítimo teste vocacional para escolher a disciplina da 2ª Fase da OAB? No próximo texto iremos trazê-lo para você praticar. Depois de respondido, some e veja qual a disciplina vencedora. E boas escolhas!

 

[Texto originalmente publicado no livro Poder da Aprovação, 2017, Editora Saraiva. Saiba mais em bit.ly/poderdaaprovacao]

Os dilemas do formando em Direito

Os dilemas do formando em Direito

Costumo dizer em sala de aulas e cursos que nossos alunos encontram-se sobrecarregados e diante de grandes impasses quando chega o fim do curso superior em Direito. Além das complexas decisões sobre quais carreiras seguir – o Direito abre ao aluno uma miríade de opções entre a advocacia e outras atividades na iniciativa privada, carreiras públicas variadas, docência e pesquisa –, o aluno se vê diante de um excesso considerável de atividades na etapa final de sua formação.

Direito Civil: Professora Carla Carvalho

A um só tempo, e num período curto que não ultrapassa 12 meses, o aluno precisa: (i) terminar as disciplinas da graduação – lembrando que usualmente ficam uma ou outras atrasadas pro final; (ii) escrever e defender o famigerado trabalho de conclusão de curso (TCC), muitas vezes a primeira experiência de escrita acadêmica do discente em todo o seu curso; (iii) completar as horas de estágio e de atividades complementares exigidas pela instituição para sua formação; (iv) se preparar para as festividades de formatura, para coroar a intensa dedicação dos últimos anos e confraternizar com os colegas e amigos; (v) buscar opções imediatas de inserção no mercado de trabalho, especialmente para aqueles que não tem emprego fixo ou pretendem redirecionar sua atuação profissional após a graduação; e, (vi) finalmente, ser aprovado no famigerado exame da OAB (Ordem dos Advogados de Brasil), que como se sabe apresenta médias de reprovação que alcançam mais de 80% dos candidatos.

Trata-se, assim, de um período duro e intenso de vida, e se o estudante não tiver foco, preparo e o devido acompanhamento, será fácil se desviar dos seus objetivos e atrasar sua formação. Os cursos superiores em Direito no Brasil apresentam uma carga horária elevada, cobrindo disciplinas específicas que em muito países são deixadas para o estudo de pós-graduação. Por outro lado, conferem ao aluno uma formação completa e abrangente, com uma visão geral das mais diversas áreas de atuação. O aluno precisa, assim, ser preparado para essa maratona que o espera na reta final de seu curso, recebendo instruções que vão além do conteúdo acadêmico, como organização de tempo, técnicas de estudo e estratégias de exploração do mercado de trabalho.

Essa organização não deve ser relegada aos últimos meses de curso, fazendo parte de um cronograma que se estabelece já desde os primeiros momentos do curso. Por exemplo, o cumprimento e comprovação da carga horária de atividades complementares devem ser priorizados já nos primeiros semestres do curso, quando as matérias trazem um grau de exigência mais leve e o aluno ainda não está tão atribulado com estágios e outras atividades. O TCC também, apesar de referir-se à conclusão do curso, não deve ser deixado para os últimos instantes, sendo importante que se incentive o aluno a, já a partir da metade de seu curso, explorar temas de sua predileção e preparar leituras que o auxiliem na construção de um trabalho autêntico e relevante. Para aquele aluno que já descobriu seu tema, é mesmo possível concluir o TCC antes do último período do curso! A matrícula em disciplinas irregulares deve ser feita o quanto antes, para reduzir a sobrecarga final.

Por fim, para o sucesso na OAB, a grande dica é investir na organização de estudos, com o estabelecimento de estratégias e cronogramas a ser seguidos, ainda que com recurso a plataformas e orientações exteriores. Recentemente acompanhei nas instituições em que leciono dois instrumentos que se mostraram eficazes: internamente, a equipe pedagógica da instituição tem recebido e agendado atendimentos com os alunos interessados, a fim de orientá-los e auxilia-los no estabelecimento de cronogramas adequados e exequíveis de estudo, com resultados animadores. Também estabelecemos convênio com um curso preparatório para a prova da OAB, o Saraiva Aprova, a fim de proporcionar ao aluno uma revisão completa dos conteúdos em seu tempo livre, via plataforma virtual organizada e direcionada às necessidades individuais de cada um, além de acesso a um programa de coaching para a preparação pro exame. De qualquer forma, o aluno pode buscar tais estratégias de forma autônoma, junto a seus professores e os próprios cursos estabelecidos no mercado. O que se pode concluir é que o resultado dos investimentos em organização de tempo e estudos é certo e expressivo, poupando ao aluno investimento de mais tempo e dinheiro para a aprovação no Exame de Ordem.

Apesar da sobrecarga, com preparo e antecedência, o aluno de Direito consegue fazer frente aos grandes desafios, sem comprometer a qualidade de seus estudos, mantendo tempo para atividades de lazer e, principalmente, alcançando resultados positivos em relação a seus objetivos.