Os dilemas do formando em Direito

Os dilemas do formando em Direito

Costumo dizer em sala de aulas e cursos que nossos alunos encontram-se sobrecarregados e diante de grandes impasses quando chega o fim do curso superior em Direito. Além das complexas decisões sobre quais carreiras seguir – o Direito abre ao aluno uma miríade de opções entre a advocacia e outras atividades na iniciativa privada, carreiras públicas variadas, docência e pesquisa –, o aluno se vê diante de um excesso considerável de atividades na etapa final de sua formação.

Direito Civil: Professora Carla Carvalho

A um só tempo, e num período curto que não ultrapassa 12 meses, o aluno precisa: (i) terminar as disciplinas da graduação – lembrando que usualmente ficam uma ou outras atrasadas pro final; (ii) escrever e defender o famigerado trabalho de conclusão de curso (TCC), muitas vezes a primeira experiência de escrita acadêmica do discente em todo o seu curso; (iii) completar as horas de estágio e de atividades complementares exigidas pela instituição para sua formação; (iv) se preparar para as festividades de formatura, para coroar a intensa dedicação dos últimos anos e confraternizar com os colegas e amigos; (v) buscar opções imediatas de inserção no mercado de trabalho, especialmente para aqueles que não tem emprego fixo ou pretendem redirecionar sua atuação profissional após a graduação; e, (vi) finalmente, ser aprovado no famigerado exame da OAB (Ordem dos Advogados de Brasil), que como se sabe apresenta médias de reprovação que alcançam mais de 80% dos candidatos.

Trata-se, assim, de um período duro e intenso de vida, e se o estudante não tiver foco, preparo e o devido acompanhamento, será fácil se desviar dos seus objetivos e atrasar sua formação. Os cursos superiores em Direito no Brasil apresentam uma carga horária elevada, cobrindo disciplinas específicas que em muito países são deixadas para o estudo de pós-graduação. Por outro lado, conferem ao aluno uma formação completa e abrangente, com uma visão geral das mais diversas áreas de atuação. O aluno precisa, assim, ser preparado para essa maratona que o espera na reta final de seu curso, recebendo instruções que vão além do conteúdo acadêmico, como organização de tempo, técnicas de estudo e estratégias de exploração do mercado de trabalho.

Essa organização não deve ser relegada aos últimos meses de curso, fazendo parte de um cronograma que se estabelece já desde os primeiros momentos do curso. Por exemplo, o cumprimento e comprovação da carga horária de atividades complementares devem ser priorizados já nos primeiros semestres do curso, quando as matérias trazem um grau de exigência mais leve e o aluno ainda não está tão atribulado com estágios e outras atividades. O TCC também, apesar de referir-se à conclusão do curso, não deve ser deixado para os últimos instantes, sendo importante que se incentive o aluno a, já a partir da metade de seu curso, explorar temas de sua predileção e preparar leituras que o auxiliem na construção de um trabalho autêntico e relevante. Para aquele aluno que já descobriu seu tema, é mesmo possível concluir o TCC antes do último período do curso! A matrícula em disciplinas irregulares deve ser feita o quanto antes, para reduzir a sobrecarga final.

Por fim, para o sucesso na OAB, a grande dica é investir na organização de estudos, com o estabelecimento de estratégias e cronogramas a ser seguidos, ainda que com recurso a plataformas e orientações exteriores. Recentemente acompanhei nas instituições em que leciono dois instrumentos que se mostraram eficazes: internamente, a equipe pedagógica da instituição tem recebido e agendado atendimentos com os alunos interessados, a fim de orientá-los e auxilia-los no estabelecimento de cronogramas adequados e exequíveis de estudo, com resultados animadores. Também estabelecemos convênio com um curso preparatório para a prova da OAB, o Saraiva Aprova, a fim de proporcionar ao aluno uma revisão completa dos conteúdos em seu tempo livre, via plataforma virtual organizada e direcionada às necessidades individuais de cada um, além de acesso a um programa de coaching para a preparação pro exame. De qualquer forma, o aluno pode buscar tais estratégias de forma autônoma, junto a seus professores e os próprios cursos estabelecidos no mercado. O que se pode concluir é que o resultado dos investimentos em organização de tempo e estudos é certo e expressivo, poupando ao aluno investimento de mais tempo e dinheiro para a aprovação no Exame de Ordem.

Apesar da sobrecarga, com preparo e antecedência, o aluno de Direito consegue fazer frente aos grandes desafios, sem comprometer a qualidade de seus estudos, mantendo tempo para atividades de lazer e, principalmente, alcançando resultados positivos em relação a seus objetivos.