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O rigor do Exame de Ordem e os “culpados” pelo fracasso na aprovação

Recentemente, o site CONJUR publicou uma entrevista com o presidente do Conselho Federal da OAB, Cláudio Lamachia, sobre a grande reprovação nos últimos Exames da Ordem. Segundo ele, o responsável pela gigantesca reprovação  foi a liberação indiscriminada de cursos de Direito e que o rigor será mantido. Nas suas palavras:

“A OAB tem insistido, há anos, para que haja mais rigor na aprovação e no acompanhamento das entidades aptas a oferecer a graduação em direito. O exame da OAB manterá seu nível de dificuldade. Para aumentar o índice de aprovação, é preciso combater a mercantilização do ensino e garantir que os cursos tenham qualidade à altura dos sonhos dos estudantes e das necessidades da sociedade”

Por outro lado, coordenadores de cursos de Direito ouvidos pela reportagem apontaram a falta de comprometimento de seus alunos durante o processo de aprendizado, refletindo o resultado da prova da OAB. Posso afirmar que não estão errados, pois como professor da graduação reconheço que os nossos acadêmicos estão dispersos e que se preocupam apenas com as notas das provas e a grade da chamada. Mesmo que respondam presença, muitos permanecem, fisicamente, em sala de aula, mas com as cabeças em outros lugares ou situações.

Desse modo, não há milagres, mesmo que se compre depois da formatura livros por quilo ou se faça um curso preparatório por semana. Realmente, o nosso aluno de Direito precisa mudar o mindset e entender que o que importa é o processo em sim, ou seja, o aprendizado.

Como realizo muitas palestras em cursos de Direito, faço alguns jogos que revelam a eles que o aprendizado até aquele momento está sendo em vão. A psicologia destes encontros não erra: precisamos mudar a postura dos alunos com a ajuda dos nossos professores. É verdade que “santo de casa não faz milagres” e, por isso, recebo muitos convites, mas apoio a todas iniciativas do corpo docente e da coordenação para provocar uma reação entre os nossos alunos.

No entanto, discordo com o presidente Lamachia. Não é o número de faculdades que influencia, diretamente, no resultado. Há milhares de dezenas de colaboradores e conselheiros da OAB ministrando aulas nestes cursos que o próprio presidente condena. Ou seja, no mínimo, estas faculdades deveriam ser exemplo para todas as outras em razão da proximidade com a Ordem dos Advogados do Brasil, mas não é isso que acontece. Pergunto, então, como resolver a questão se não temos nem 20% da população brasileira com ensino superior? Vamos fechar oportunidades para os outros 80%?

O curso de Direito, atualmente, tem o maior número de matriculas no ensino superior por ano. Superou, recentemente, a Administração, que sempre foi a campeã histórica em matrículas. Jamais li uma linha de reclamações do CFA – Conselho Federal de Administração que há administradores em excesso. Observa-se que eles não precisam fazer qualquer exame de proficiência.  Portanto, o problema não é a quantidade, até porque, o Ministério da Educação – MEC tem rígidas normas sobre o funcionamento de cada faculdade (número de doutores, mestres e especialistas), além de outros parâmetros que têm mantido abertos os cursos de Direito.

Voltou a apontar que o problema está em sala de aula e isso o MEC não pode avaliar (exceto pelo ENADE, mas que é uma prova longe de ser perfeita), somente a OAB, por esta razão, os resultados pífios do Exame de Ordem.

Está na hora de mudar o discurso, porque nem sempre é o mordomo o principal suspeito. É por isso que continua a nossa luta junto com o acadêmico para ele se tornar um profissional melhor, sem pensar de modo específico que o Exame da OAB é “tudo da vida”, mas faz parte dos obstáculos iniciais da profissão. Lembrem sempre: todos seremos, antes de tudo, bacharéis em Ciências Jurídicas e Sociais, portanto, cientistas do Direito. Honre esta titulação “cientista” e os resultados virão!


Este artigo foi escrito pelo professor Marcelo Hugo da Rocha, coach do Saraiva Aprova.

Daniela Greco

Ver comentários

  • Que matéria sensacional! Enfim, um diagnóstico preciso e real. Sou profissional da área de Educação, e posso afirmar que a ideia de ter notas, ter frequência são de fato, as únicas preocupações dos alunos, e essa configuração de pensamento se arrasta e permanece quando se tornam acadêmicos. O fracasso, o nível baixíssimo de aprendizagem e as reprovações na OAB são apenas consequências do descomprometimento dos acadêmicos. Pouco, ou quase nada tem a ver com o nível dos professores, até porque prevê-se que acadêmicos deveriam ser autônomos. Mas não é o que acontece: eles querem ser compreendidos e poupados igual eram no Ensino Fundamental e Médio. Sentem-se injustiçados e transferem a responsabilidade de seus fracassos para os professores, para a instituição em que estudam e claro, para o exame da OAB.
    Por esta razão, parabenizo mais uma vez esta matéria. Os coordenadores que descreveram como os acadêmicos se portam em sala de aula, conhece a realidade é sabem com propriedade do que estão falando.

  • Não concordo em retroagir ou seja,passando na primeira fase e não voltar se não conseguir na segundo.

    Pensar em uma pessoa tira nota máxima na 1 fase é só por não conseguir na 2 voltar e começar tudo novamente isso é justo.

  • Tenho 30 anos e estudo para concursos há 2. Ingressei na faculdade de direito esse semestre e fico horrorizada com a competência daqueles que lecionam. Um professor de teoria geral do direito veio defender em sala o fim do exame da ordem, fiquei indignada de um posicionamento desse sabendo da necessidade da prova, mas a conduta dele como professor justifica seu ponto de vista, é uma pessoa preguiçosa, sem conhecimento profundo acerca da matéria, não instiga os alunos a se acostumarem com a realidade do Direito e sem didática nenhuma... Sou a favor do exame da ordem.

  • A culpa está mesmo e nas faculdades que só pensa no financeiro, esquece do aprendizado dos alunos , com professores que estão na sala de aula fingindo que ensina e os coordenadores fingindo que se preucupar com a qualidade do ensino !

  • Lê atentamente todos os comentários, e não obtive nem uma explicação a respeito da alegação da oab, inclusive a matéria feita com o conselheiro, a respeito de criação embaraçada de cursos, discordo completamente dessa afirmação, a preocupação que vejo da oab é de que tendo mais advogados inscritos irá aumentar a concorrência com o que estão a década e décadas no poder, advogados novos tem uma mentalidade nova e não concordo com os que estão antes de 1994 que jamais fez essa prova, e pressiona sempre a instituição para não deixar de realizar, conheço um advogado que era funcionário público e se formou antes de 1994 e agora requereu sua carteira e o mesmo não sabe nem onde passou a CF “isso fala dele” e que hoje está apto a advogar, conheço inúmeros bacharéis que mantém grande escritórios com seus conhecimento e realiza todas as demandas do escritório “peticiona, recursos, faz todo o serviço jurídico do advogado” e não consegui passar no exame, eu pergunto o que está errado o exame ou bacharel de luxo?
    É isso que os grandes advogados não querem perder os bacharéis que não conseguem realizar essa prova e continuem trabalhando para o enriquecem a cada dia mais, pagando uma merreca, isso a oab não fiscaliza não a vida dura de um bacharel em um grande escritório. Não sei de consegui mostra o que penso sobre o exame.

  • Não sou contra ao exame da OAB porém dizer que a forma de aplicação é correta não é !! Vamos começar pelo primeiro ponto uma taxa de inscrição absurda em que estudantes de direito muitos nem emprego tem são obrigados a pagar e nem venham falar de isenção porque mais de 70% foram indeferidos sem explicação alguma mesmo sendo enquadrados conforme o edital, uma taxa exorbitante maior até do que de muitos concursos outro fato é essa banca em que não anulam questões totalmente erradas !! Não vejo a OAB fazer nada diante dessa questão pois se está errada o correto é ser anulada então não defendo isso, de longe isso não é justo e olhe que o Direito é para se buscar por justiça mas como se diante do exame não se tem isso !!! Vejo mesmo um grande comércio e ninguém faz nada !!! Como vi exemplos aqui de pessoas que recorreram e não ganharam pontos mesmo tendo direito !!

  • Ao meu ver, estão se perdendo nas questões e na mudança do NCPC e não conseguem avaliar por falta de atualização levando a erros absurdo de interpretação e gerando um lucro gigantesco. Que tal cobrar a taxa de inscrição apenas uma vez aos candidatos aí teremos mas seriedade nas questões.

  • Concordo com tudo que foi argumentado... porém, o exame da OAB está longe de ser um exame justo!
    A prova aplicada tão pouco mede o real conhecimento do candidato e sabemos que é bem diferente na prática...
    Existem muitas pessoas que trabalham na área, que tem um bom conhecimento e reprova na 2 fase do exame porque simplesmente deixaram de corrigir uma questão da prova ou não aceitou a sua resposta, que com certeza é até melhor do que a resposta do gabarito!
    Não tem pessoas capacitadas para correção, deixam muita coisa passar .... isso é um absurdo!
    Eu trabalho com atendimento ao advogado, falo com eles todos os dias!
    E garanto que o exame de ordem não mede nem a metade do conhecimento que um advogado deve ter!
    O advogado passa no exame de ordem e liga para a informática para perguntar qual é a descrição do tipo de documento que ele precisa colocar para entrar com a sua petição! Não são poucos! São muitos!!!!! Vejo isso todo os dias!
    Eu passei nesse último exame da 2 fase ... tive que entrar com recurso, pois não corrigiram corretamente a minha prova! Enfim ... tudo que eu falei é verídico! Tudo que eu vivi e vivo !
    Muita coisa precisa melhorar para que esse exame seja realmente um exame que aprove advogados de verdade... sem injustiças ! Graças a Deus eu passei, mas tem muita gente na luta e que já sofreram injustiças !

  • Verdade. Reprovei 3x na OAB mas nao tive uma vida universitária exemplar. Fui para a faculdade de direito pensando em passar em concurso publico e ter um salario alto. Nao fiz estagio e nem procurei estagiar, fiz somente o estagio obrigatorio da faculdade pq trabalho em uma escola omo monitora de alunos. Minha profissao atual nao tem nada haver com a profissao que eu estudo.
    O que eu estou querendo dizer, é que talvez para passar na OAB, vc tem que viver a profissao, se olhar no espelho todos os dias e crer que vc é um advogado, e que como bom advogado que corre atras das suas acoes para manter o escritorio, vc tem que mover suas acoes para entender o ordenamento jurídico atraves de um estudo honesto.
    Pq, se vc nao consegue dominar as matérias mais basicas do Direito, como conseguirá convencer um magistrado que o seu cliente teve um direito violado?
    A OAB esta de parabens por manter esse rigor nos exames de admissao.
    Os cursos de Direito nao podem ser mercantilizados. Direito é coisa séria, e eu me arrependo muito de perceber isso, quando terminei a faculdade. Mas sei que eu posso mudar essa realidade. E agora, o foco é esse.

    • Olá, Carla. Boa tarde!

      Muito obrigado por compartilhar sua história conosco, tenho certeza que ela pode servir de inspiração para inúmeros bacharéis, até mesmo de outras áreas.

      Também acredito que independente do caminho escolhido por você, você batalhou e aprendeu muito. É isso aí!

      E comentando sobre o final, antes tarde do que nunca, certo? Sempre existe tempo para mudar a realidade, aprender com os erros e otimizar os acertos.

      Pode contar com o Saraiva Aprova nessa sua nova jornada. Vamos com tudo!

      Um abraço.

  • Em relação ao exame de ordem, concordo que deva ser feito, discordo da maneira como é aplicado, pois não tem finalidade de avaliar e sim segurar a enxurrada de bacharéis que se formam todo semestre no país. Discordo da soberania da FGV em anular as questões que quiser, e não ser questionada sobre isso.
    No último exame acertei 38 questões e tinha pelo menos três questões com erros crassos para anulação e não anularam. Por que se faz recurso das questões e não tem resposta? OAB fica em guerra com o MEC por causa da quantidade de cursos abertos no país, mas não apresentou um estudo ou elaboração de criterios para abertura dos mesmos.
    Com isso tira-se o foco do que é importante, a busca pela formação de bons profissionais para atender com qualidade as demandas jurídicas de nossa população.

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