Eu não passei na OAB. O que devo fazer?

Você já deve ter lido ou escutado muitos incentivos para não deixar de acreditar no sonho da aprovação no Exame da OAB, especialmente depois de uma reprovação. É comum a tentativa de melhorar o ânimo do próximo quando este acabou de passar por um fracasso, seja profissional ou na vida. Frases inspiradoras surgem quase que automaticamente, como a publicidade nos “descobre” logo depois de examinar um determinado produto: só ele vai aparecer por um bom período em nosso campo de visão.

Será que alguém está também observando nossos fracassos? Claro que sim! O pior desta exposição não são os conselhos inúteis, mas o certo “conforto” que outros que estão na mesma situação tentam passar. De algum modo, se não consegui, é “melhor” que outro também não consiga para eu não ser o único fracassado. Não é assim que funciona? Esconder os erros ou querer dividir com outros é tentar evitar uma etapa importante do processo de superação, qual seja, a autoavaliação. Sem encontrar as razões corretas de uma reprovação é ignorar que logo ali ela poderá se repetir.

Portanto, tudo é um grande aprendizado. Muitas pessoas me perguntam se há um “lado positivo” de uma reprovação. A resposta é sempre sim! Não tenho dúvidas sobre isso, porque o tempo acaba ensinando “à força” as lições que deveriam ter sido compreendidas ao tempo da derrota. Não que a prova da OAB (ou qualquer outro desafio) precise se tornar um obstáculo eterno para ensinar algo a alguém, o fato é que a urgência é relativa, o que pode ser urgente para um, pode ter outro valor para aquele que desiste logo na primeira frustração.

Você somente será aprovado se já resolveu suas “pendências” com a reprovação anterior (ou anteriores), caso contrário, o Universo vai lhe devolver, novamente, mais uma chance de superação pessoal, porque ao final o objetivo não é “passar ou não passar”, mas sim, de conquistar a si mesmo. O Exame de Ordem é apenas uma prova na sua vida, pois não tenho dúvidas que você já enfrentou muitas delas até este momento e que perderam importância com o tempo, mas o que ficou é o “acumulável”, ou seja, a formação da capacidade de enfrentar desafios e superá-los mesmo depois de diversas derrotas.

Portanto, a próxima prova do domingo deve ser encarada como mais uma e não a última refeição antes de passar pelo corredor da morte. Alivie a sua própria pressão, porque imagino que muitos outros já estejam pressionando pela aprovação. Então, para que piorar? Na hora da prova, o que você estudou precisa estar contigo; o que não estudou, deixe que a sorte faça o seu serviço. Criar preocupações ou gerar uma ansiedade difícil de controlar farão que os seus estudos se escondam de você quando mais precisar deles. Blinde a sua mente com pensamentos positivos, descarregando suas crenças limitantes.

Por fim, as portas existem para serem abertas ou permanecerem trancadas. Se a porta do Exame da OAB continua trancada para você, provavelmente, você não avaliou a chave que está nas suas mãos ou não encontrou ela ainda ou mesmo está tentando abrir a porta errada. Ela pode ser aberta na força? Acredito que sim, mas leva mais tempo de qualquer outra alternativa anterior. A escolha é sua!

5 melhores práticas para resolver questões da OAB

5 melhores práticas para resolver questões da OAB

Muita gente acha que resolver questões da OAB é um verdadeiro bicho de sete cabeças — pois muito se fala na dificuldade da prova e nos índices de reprovação.

Na verdade, não há motivos para desespero: investindo em uma boa preparação e utilizando algumas táticas, é possível aumentar (e muito) as suas chances de aprovação.

No artigo de hoje, separamos 5 dessas melhores práticas para resolver questões da OAB. Vamos ver quais são elas?

1. Destaque as informações importantes

O primeiro passo para resolver questões da OAB é destacar as informações importantes fornecidas pelo enunciado. Afinal, é comum que os candidatos, ansiosos na hora da prova, leiam a questão rapidamente e passem batido por detalhes cruciais para a sua resolução.

Por isso, antes de qualquer coisa, leia o enunciado com calma, destacando as palavras mais importantes: como “correta”, “incorreta”, “certa” e “errada”.

Prestar atenção a essas palavras é essencial para garantir um acerto — é muito comum que os candidatos, ansiosos com a prova, se confundam e marquem a alternativa correta em uma questão que pede a incorreta (ou vice-versa).

2. Elimine alternativas

Depois de destacar as informações importantes de uma questão, o próximo passo é eliminar as alternativas claramente incorretas. O examinador sempre inclui uma ou duas afirmativas desse tipo nas questões, então, é importante excluí-las de cara para aumentar as suas chances de acerto.

Veja o exemplo de uma questão de Filosofia do Direito do XVIII Exame da OAB, em que uma das alternativas afirmava que “interpretar um texto significa alcançar o único sentido possível de uma norma conforme a intenção que a ela foi dada pelo legislador.”

Ainda que você não tenha certeza da resposta correta, é simples deduzir que interpretar um texto não significa alcançar o único sentido possível de uma norma, certo? Essa alternativa, portanto, poderia ser eliminada de cara.

É importante destacar que os termos generalizadores — como “sempre”, “jamais” e “nunca” — quase sempre indicam assertivas incorretas. Como estudante de Direito, você já deve ter reparado que a resposta para a maioria das perguntas é “depende”, né? Por isso, desconfie quando se deparar com uma assertiva que generalize demais a resposta.

3. Otimize o seu tempo

A administração do tempo é um dos grandes desafios para quem vai fazer a prova da OAB. São 5 horas para resolver 80 questões objetivas, e ainda é necessário separar um tempo para preencher o seu cartão de respostas. Colocando na ponta do lápis, são aproximadamente 3 minutos e meio para cada questão. Apertado, né?

Por isso, saber otimizar seu tempo é crucial para ter um bom desempenho. Uma boa forma de fazer isso é começar pelas matérias com as quais você tem mais facilidade. Essas questões serão resolvidas mais rapidamente, de forma que você terá mais tempo ao final da prova para responder às perguntas mais difíceis.

Além disso, você também estará mais descansado mentalmente no início da prova. Começando por um assunto que você domina, você praticamente garante alguns acertos — já que as chances de errar por bobeira serão bem menores.

Também é importante lembrar que essa tática tem um ótimo efeito psicológico: nada como começar lendo as questões das quais você já sabe as respostas para ganhar confiança para o resto da prova, certo?

4. Fique atento às pegadinhas

Não são apenas os seus conhecimentos jurídicos que o Exame da Ordem quer testar: a atenção do candidato também será analisada. É justamente por isso que a prova costuma vir recheada de “pegadinhas”, ou seja, questões feitas para induzir um candidato mais desatento ao erro.

Para resolver questões da OAB, é indispensável ficar de olho para não cair nos truques do examinador.

Uma das pegadinhas mais recorrentes no Exame da Ordem é a mistura de afirmações corretas e incorretas em uma mesma alternativa. Se um candidato lê uma dessas alternativas com pressa, pode não atentar à sua parte falsa e considerá-la como correta.

Outra pegadinha bastante comum é misturar os conceitos. Um exemplo: em uma afirmativa sobre Direito Penal, consta que arrependimento eficaz ocorre quando o agente desiste de prosseguir na execução do crime, enquanto que, na desistência voluntária, ele impede que o resultado se produza. Lendo com pressa, a alternativa pode parecer correta; entretanto, os conceitos estão trocados: o primeiro conceito é o de desistência voluntária, enquanto o segundo é o de arrependimento eficaz.

Para evitar erros como esse, basta ler todas as alternativas com muita calma.

5. Verifique informações que se repetem

Na maioria das questões da prova da OAB, as diferentes alternativas repetem algumas informações. Analisando essas informações, é possível eliminar algumas das assertivas incorretas.

Para exemplificar essa prática, vejamos como exemplo uma questão do XXII Exame da Ordem:

“Cláudio, advogado inscrito na Seccional da OAB do Estado do Rio de Janeiro, praticou infração disciplinar em território abrangido pela Seccional da OAB do Estado da São Paulo. Após representação do interessado, o Conselho de Ética e Disciplina da Seccional da OAB do Estado do Rio de Janeiro instaurou processo disciplinar para apuração da infração.

Sobre o caso, de acordo com o Estatuto da OAB, o Conselho de Ética e Disciplina da Seccional da OAB do Estado do Rio de Janeiro:

a) não tem competência para punir disciplinarmente Cláudio, pois a competência é exclusivamente do Conselho Seccional em cuja base territorial tenha ocorrido a infração, salvo se a falta for cometida perante o Conselho Federal.

b) tem competência para punir disciplinarmente Cláudio, pois a competência é exclusivamente do Conselho Seccional em que o advogado se encontra inscrito, salvo se a falta for cometida perante o Conselho Federal.

c) tem competência para punir disciplinarmente Cláudio, pois a competência é concorrente entre o Conselho Seccional em que o advogado se encontra inscrito e o Conselho Seccional em cuja base territorial tenha ocorrido a infração, salvo se a falta for cometida perante o Conselho Federal.

d) não tem competência para punir disciplinarmente Cláudio, pois a competência é exclusivamente do Conselho Federal, ainda que a falta não tenha sido cometida perante este, quando o advogado for inscrito em uma Seccional e a infração tiver ocorrido na base territorial de outra.”

Nesse exemplo, duas das opções afirmam que o Conselho tem competência para punir Cláudio; as outras duas, afirmam que não. Se você sabe que a competência para punir é da Seccional em que foi praticada a infração (no caso da questão, em São Paulo), já pode eliminar as assertivas em que se repetem a informação (errada) de que a competência seria da Seccional do Rio de Janeiro!

Mesmo que você não saiba a resposta correta, nesse caso já eliminou duas alternativas com informações erradas que se repetiam, aumentando as suas chances de acerto.

Resumindo

  1. Destaque as informações importantes: isso aprimora o foco e evita confusão nas respostas.
  2. Elimine alternativas: para aumentar as probabilidades de acerto.
  3. Otimize o seu tempo: para concentrar sua energia nas questões que você sabe responder.
  4. Fique atento às pegadinhas: isso evita erros bobos e pode ser a diferença entre 39 e 40 acertos.
  5. Verifique informações que se repetem: para que você consiga responder uma questão mesmo sem ter completo domínio sobre ela.

 

E você, curtiu nossas dicas para resolver questões da OAB? Nós estamos sempre revisitando os Exames para trazer dicas e notícias em primeira mão para você.


Desmistificando o Exame da OAB

Desmistificando o Exame da OAB

Olá, meus futuros colegas de OAB!

Hoje vamos iniciar uma série de postagens que tratam sobre possíveis lendas urbanas, mitos ou mesmo de verdades escondidas sobre o Exame da OAB. Estes temas já foram tratados em algumas oportunidades em nosso blog Passe na OAB, portanto, não é mera ficção.

Praticamente, ninguém trata deste assunto ou por desconhecimento ou por medo de se complicar. Como não temos medo de saci-pererê, do boi da cara-preta nem de mandingas,  vamos entregar, então, a partir de hoje informações quase confidenciais e tratar de outros “diz-que-me-diz” daquele que não se pode dizer o nome em voz alta, o Exame da OAB.

Com vocês, desmistificando o Exame da OAB. Confira!

Muitos dizem que o Exame da OAB nasceu com o número da besta na testa, “666”, cujo berço seria o Estatuto do Advogado, ou seja, da Lei 8.906/1994. É um Jarlin Garcia jersey mens engano fatal! O Exame da OAB é bem mais antigo, não é do tempo medieval, mas também não apareceu no mesmo ano que Kurt Cobain, líder da banda Nirvana, atirou contra a própria cabeça. No entanto, apareceu, textualmente, no ano que outra celebridade morreu também com um tiro na cabeça, no caso, assassinado misteriosamente quando desfilava em céu aberto, o presidente estadunidense John F. Kennedy em 1963.

A Lei 4.215 de 1963, o Estatuto da OAB que acabou revogado pelo atual, exigia a prestação de Exame de Ordem aos candidatos que não tinham feito o estágio profissional ou não tinham comprovado satisfatoriamente o seu exercício e resultado. Porém, é possível enxergar o que viria a ser o exame ainda em 1874 (não, nenhum famoso morreu em 1874, mas foi o ano que nasceu Winston Churchill na Inglaterra) a partir da publicação do Regulamento 5.618. Ele exigiria que fosse aplicado um exame oral e escrito àqueles que tinham a pretensão de exercer a advocacia.

Este exame era obrigatório apenas para os leigos, sem formação nas faculdades de Direito (no Brasil e Portugal). A aprovação lhe tornava “advogados provisionados”, também conhecidos pela alcunha de “rábulas”, extintos apenas em 1985 pela Lei 7.346, ano da morte de Tancredo Neves, antes de tomar a posse (outro mistério) como Presidente da República. Assim, o Exame de Ordem não é tão jovem como parece ser, ou será algum feitiço da juventude que bebeu em algum momento entre estes três séculos (XIX, XX e XXI)?

O fato é que sempre houve duas classes divididas por um exame. Se antes era entre os bacharéis em Direito e os leigos práticos, depois ficou entre os advogados e (quem diria) os próprios bacharéis em Direito. Diante desta constatação, fica fácil afirmar whole jersey que o Exame de Ordem é corporativista. Se antes defendia a classe de quem estudava numa faculdade de Direito, hoje defende quem é advogado. Reza a lenda que o Exame da OAB é uma fonte de arrecadação de fundos, mas isso é papo para outro texto aqui em nosso canal do blog do Saraiva Aprova!

E fica uma dica final: se você estiver se preparando para o Exame, não passe perto de um despacho (não de um Juiz!) numa esquina perto do Foro, dizem que dá azar.