Escolhendo a disciplina da 2ª Fase da OAB

A principal pergunta que surge durante a inscrição do Exame de Ordem é “qual disciplina irei optar para realizar a 2ª fase”. Não há outra dúvida tão cruel como esta. Pior quando ela já se arrasta antes da publicação do edital e você está longe da solução.

O mais engraçado é que esta dúvida não deveria acontecer só quando o estudante de Direito torna-se candidato e nem deveria ser respondida por alguém que desconhece por completo o histórico acadêmico e profissional dele. Sim, se eu não sei a resposta, porque outro deveria saber? Na verdade escolher uma das sete opções que OAB oferece é tão pessoal quanto escolher o próximo amor da sua vida! Somente no caso de seus amigos ou amigas terem o poder de escolher a sua nova paixão é que será permitido também que eles ou outras pessoas confiáveis possam apontar qual a disciplina a ser optada…

No meu caso, em particular, acabei optando a disciplina pelo pior critério possível: o da facilidade da prova. Optei por trabalho, porque tinha “menos peças profissionais” para estudar. Até então, nunca tinha pisado na Justiça do Trabalho, talvez apenas por curiosidade, não fiz estágio nesta área e na faculdade somei minhas notas o suficiente para passar. Portanto, esta área para mim era praticamente inédita.

Segundo meu histórico, civil era a opção natural, mesmo que eu tenha tido excelentes professores em penal e o suficiente para me “divertir” com suas  histórias de promotores, delegados e advogados criminalistas. De qualquer sorte, tive que aprender a matéria que tinha escolhido em três semanas e preparar o material de consulta como “bengala” moral para o dia da prova.

Portanto, sugiro que o critério de escolha não seja apenas por ouvir dizer que tal disciplina é “mais fácil” do que outra, mas rever o seu histórico na faculdade e suas experiências profissionais ou de estágio, pois refletirão na sua formação acadêmica e facilitarão na hora da prova. Talvez julguem processo do trabalho algo simples, até porque ele foi concebido para ser assim, mas o direito material requer um estudo que vai além da remuneração, de suas parcelas e respectivos reflexos.

A disciplina de trabalho tornou-se lenda de ser a “mais fácil” desde 1997 e era a primeira escolha disparada da grande maioria até a OAB reconhecer que “atalhos” para aprovação não seriam bem-vindos. Assim, com toda a legitimidade que lhe compete, começou a “endurecer” com aqueles que buscavam uma aprovação “casual” com provas mais difíceis e correção mais severa. Atualmente, é uma das disciplinas que mais “reprovam” na 2ª fase, apesar de ser uma das mais queridas pelos acadêmicos.

Então um movimento surgiu a partir de dicas de novos advogados que optaram por tributário e logo havia mais tributaristas do que Códigos Tributários Nacionais disponíveis no mercado. Mais rapidamente do que aconteceu com trabalho, a OAB empregou a mesma “cartilha” e os índices de aprovação para aquela disciplina despencaram também. Portanto, estas “ondas” migratórias disciplinares viraram “marolas” e pouco se percebe nos dias atuais.

Assim, ao que parece, atualmente, a escolha da “mais fácil” não é mais o primeiro requisito a ser levado em conta. O candidato está avaliando melhor as opções também em razão das  suas convicções próprias, com base na experiência e no vínculo com a disciplina. Os professores também têm grande influência neste momento, apesar dos evidentes interesses que podem estar envolvidos na indicação, como venderem livros ou cursos.

De qualquer sorte, a preocupação não pode recair tão somente nas peças profissionais, seja pelo grau de dificuldade, seja pelo seu número, pois sem argumento (leia-se a parte “material”) nenhuma terá consistência para angariar pontuação. Além disso, não basta decorar modelos práticos, a prova tem outras quatro questões a serem resolvidas junto com a peça e que exigem conhecimento amplo e aprofundado de direito processual e material.

Se houver dúvida na hora de optar, ela tem que ser “sincera”, ou seja, a reflexão precisa pautar o que realmente importa: seu passado e futuro com as candidatas à escolha. Observar o passado é verificar suas notas na faculdade, seu engajamento até então e a experiência que lhe traz nos dias de hoje. Você pode incluir também seus sentimentos, pois entre as opções pode ter um amor platônico a ser assumido no futuro. Lembre que você terá mais de 40 dias estudando a mesma disciplina, esta projeção para o futuro deve ser considerada, porque se não gosto de penal, p.ex., como ficarei estudando somente ela durante tanto tempo?

Portanto, em primeiro lugar, afaste ou elimine aquelas que de modo algum você gostaria de estudar para a 2ª Fase. Das disciplinas clássicas, a opção mais difícil é  penal e mesmo assim, é a campeã das escolhas segundo a FGV.  Não há preconceito atrás desta afirmativa mesmo que as páginas policiais sejam a sua escola prática. Entendo que é uma opção de perfil, em razão do seu universo próprio e, portanto, deve ser paixão à primeira vista e não um simples “crush”. Em outras palavras, quem está decidido por penal não pensa nunca numa segunda opção e não deve considerada como tal.

“E quanto a civil, professor?”. É a pergunta de R$ 1.000.000,00. Quem chega a esta pergunta, mesmo que tenha sido a disciplina que mais esteve presente no currículo na faculdade, é porque está preocupado com o número de peças que poderia ser cobrado. A parte processual nova também atrai dúvidas, mas lembre de que terá o vade mecum no dia da prova. Veja que apesar de tudo, tem um dos melhores aproveitamentos médio entre as sete optativas.

Tire das suas opções a ideia da “mais fácil”, pois ela está diretamente vinculada a que os outros pensam e propagam a respeito. Todas são difíceis,  mas não impossíveis. Têm aspectos contra e a favor. O ângulo da escolha ou o filtro deverá estar vinculado ao fator pessoal com as disciplinas e não o contrário. Veja que disciplinas mais novas, como constitucional e administrativo, onde é quase inexistente a experiência prática anterior têm grande aproveitamento médio comparado às demais.

Distribuição de inscritos e aproveitamento médio por área na 2ª fase (%):

 

E quem sabe um legítimo teste vocacional para escolher a disciplina da 2ª Fase da OAB? No próximo texto iremos trazê-lo para você praticar. Depois de respondido, some e veja qual a disciplina vencedora. E boas escolhas!

 

[Texto originalmente publicado no livro Poder da Aprovação, 2017, Editora Saraiva. Saiba mais em bit.ly/poderdaaprovacao]

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3 comentários em “Escolhendo a disciplina da 2ª Fase da OAB”

  1. Escolhi Empresarial, por afinidade, sempre tive por esta disciplina um carinho muito especial, quando de minha graduação, sempre fui muito bem, evidente que na academia nunca nos fizeram provas de peças jurídicas, neste ramo do direito, mais sei que não é tão difícil a ponto de desespero, parabéns pelas dicas e vamo que vamo!!!!

  2. Fantástica informação. Creio que nem sempre o mais “fácil” necessariamente trará uma aprovação, mas a afinidade e prazer com a disciplina para mim é fundamental para se dar bem no resultado.

  3. Olá pessoal, a próxima prova do exame será à minha sétima ou oitava, não me lembro mais,rs, só sei que sou brasileiro e não desisto nunca!
    Vamos que vamos, uma hora vai dar certo, à respeito da segunda fase escolha qualquer uma das opções, todas não serão faceis mesmo, já fui aprovado uma vez para a asegunda fase em civil, meu erro foi não ter feito um curso preparatório e me dedicado ao máximo para a prova, taí o segredo da sua aprovação, se dedicar ao máximo para aconquistar esta cereja, pois o bolo nós já fizemos nos cinco anos de facul, boa sorte à todos…

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