Desconfio que não fixo conteúdo quando estudo: porquê?

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O grande mal da humanidade é a falta de concentração. Não sou eu que digo, mas os pesquisadores das mais diversas áreas. Faço também as minhas pesquisas, especialmente, quando estou diante de um público em palestras dentro de faculdades e em eventos jurídicos. Pergunto: quem sofre da falta de concentração? Mais de 80% levanta a mão. Há muitas razões que justificam este resultado.

A minha pergunta do título utiliza, propositalmente, o “desconfio”. Sabe porquê? É fato: antes de começar a estudar a pessoa já se condiciona a acreditar que nem todo o conteúdo será entendido, muito menos fixado. Ou seja, antes mesmo de realizar a leitura ou assistir a uma videoaula, o aluno sabota-se. Ele sofre por antecipação.

Há crenças populares como “quando mais estudo, menos eu sei”.

Dentro das minhas pesquisas junto aos alunos de Direito, especificamente, a constatação é mais exata do que 1+1: quando mais próximo do fim do curso na faculdade, menos o acadêmico se sente preparado, ou seja, menos ele sabe. Aquela confiança inicial, de primeiro semestre, dissipa-se durante os demais anos até a formatura. Eu mesmo passei por este processo de “desaprendizado”.

Este é um dos motivos que levam muitos bacharéis a se matricular imediatamente numa especialização, esperando aprender o que acreditam não ter aprendido nos últimos cinco anos. No meu caso, me matriculei num curso de extensão.

Confirma-se esta sentença quando ouvimos de alunos formados que aprenderam mais numa única aula do preparatório para o Exame da Ordem, por exemplo, do que um semestre na faculdade. Sabe porquê? Ele está 100% focado na aula em si do cursinho, enquanto na faculdade havia outras preocupações menos nobres, a “chamada” e a “nota” da prova.

O aprendizado acaba se perdendo na “burocracia” da conclusão do curso de Direito. O que desejo encarar é que as desculpas não podem ser terceirizadas, leia-se, a “culpa é sempre do mordomo”, ou seja, a faculdade.

Tenho que tratar deste tema, faculdade, tendo em vista que ela cria raízes do modo de estudar e pensar, e este modo é levado para se preparar para a prova da OAB e de concursos. Então, tudo que foi de ruim “lá trás” acaba afetando justo o momento que você tem vontade de estudar. Você já se perguntou porque seus melhores colegas na faculdade foram aprovados de primeira na OAB e, logo após, em concursos públicos dos mais concorridos? Não, não eram mais inteligentes que você, mas porque tinham o mindset correto ou formaram um de forma positiva durante a faculdade.

Aprenderam com ela o jeito de estudar, pesquisar e a assistir às aulas.
Novamente, nossas pesquisas apontam que os alunos de preparatórios que acabam deixando de assistir às aulas com o passar do tempo também tiveram o mesmo modus operandi durante a graduação: pegavam a chamada e saíam, ou se dispersavam com o smartphone ou tinham a cabeça distante das aulas ministradas. Portanto, o problema, a raiz dele está na formação. Estes alunos sofrem muito com a falta de concentração porque criaram este “ambiente” confuso na sua mente. A ordem é “estudar”, mas o hábito internalizado está preso a uma rotina desleixada que é interrompida por um mero espirro de alguém há 100 metros ou por uma formiguinha subindo na parede.

Se você está lendo este texto e ainda está na faculdade, mude o seu mindset (sua atitude mental) enquanto há tempo para ter uma curva ascendente de estudos. Caso você já tenha sido afetado pela rotina indesejável de quase todo acadêmico, minha sugestão é parar tudo e refletir entre duas escolhas: continuar do modo que você acredita esteja certo (mas cadê os resultados?) ou varrer tudo que está errado (e você sabe o que é, basta se perguntar) e começar uma nova caminhada.

O primeiro passo é blindar a sua mente com pensamentos negativos que de você não aprenderá tudo o que estudar.

Lembre-se que estudar para uma prova objetiva é diferente do que apresentar um seminário ou trabalho à frente dos colegas. Este raciocínio é importante para evitar cobranças quando fazemos autoquestionamentos da matéria que estudamos há algum tempo e as respostas não surgem. Você somente saberá se fixou o conteúdo resolvendo questões objetivas, por isso que elas são fundamentais para o desenvolvimento da preparação. Então não comece se boicotando quando abre o livro ou dá o play na videoaula.

Tenha toda a atenção do mundo, como fossem as instruções emergenciais para salvar o mundo! Nas primeiras vezes, haverá até um certo nervosismo, depois, você estudará como o herói ou heroína, realmente, responsável em salvar a todos nós e, principalmente, a você!

Espero que tenha gostado deste artigo. Temos um post aqui no blog sobre a falta de concentração nos estudos que também pode te ajudar, acesse 🙂

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