Carreiras no Direito: Advogando na área internacional

Direito Internacional: advogando na carreira internacional

Carreiras no direito: Advogando na área internacional

Desde muito jovem, passei a admirar outros povos e outras culturas. Nas aulas de História, sempre olhava as sagas daqueles navegadores portugueses e espanhóis como algo de outro planeta.

Como podiam cruzar os oceanos sem qualquer segurança e sem mesmo ter certeza de que haveria algo do outro lado?

Meus pais, por seu turno, sempre me diziam que “viajar é ampliar seus horizontes”, o que, trocando em miúdos, significa que quem não viajava teria seu mundo limitado àquilo que se consegue ver na sua própria terra. Facilmente, aprendi que viajar e aprender sobre novas culturas era o que eu queria para minha vida.

Prof. Napoleão Casado

Professor de Direito Internacional do Saraiva Aprova. Pós-doutor em Direito Comparado pela Société de Législation Comparée de Paris. Doutor em Direito Internacional pela PUC/SP.

Mas, como tornar isso realidade?

O primeiro passo, foi aprender alguns idiomas. Minha mãe, sempre atenta às necessidades do mundo que se globalizava nos anos 80, tratou de me matricular em cursos de inglês, francês, espanhol e alemão desde a mais tenra idade. Para se ter ideia, aos 15 anos eu comecei a lecionar inglês na mais respeitada escola de idiomas de João Pessoa.

O Direito também me atraiu a partir dos 16 anos. O caminho natural, podem pensar alguns, era que aquele inquieto estudante secundarista optasse por uma carreira na diplomacia, algo com o que, inclusive, flertei.

Mas minha escolha foi outra: advogar, carreira que só escolhi após estagiar na Promotoria e trabalhar no Tribunal de Justiça. Ou seja, após experimentar um pouco de outras carreiras, passei pela advocacia e me apaixonei. Fiquei encantado com a possibilidade de iniciar um caso do nada e acompanhá-lo até seu desfecho; com o contato cliente/advogado que começa com relação de confiança e, não raro, se transforma em verdadeira amizade; com o ambiente saudável dos escritórios em que trabalhei.

Por fim, fascinei-me pelo RISCO. Sim, advogar é sempre uma atividade de risco e saber tomar risco é uma das artes da vida que tento compreender. Mas se você é naturalmente avesso a risco, certamente a advocacia não é o seu lugar.

Carreira na advocacia

Iniciada minha carreira na advocacia, tomei uma decisão radical: mudar-me de cidade. Afinal, havia me formado em uma cidade onde o comércio internacional e as relações internacionais não são tão fortes. Fui para a capital econômica do Brasil: São Paulo e fui muito bem acolhido. Aqui, fiz meu mestrado e doutorado na PUC/SP e descobri a parte mais interessante da advocacia em conflitos internacionais: a Arbitragem.

A arbitragem é a forma que a maioria das empresas internacionais escolhe para solucionar seus conflitos. Uma justiça privada feita com base na confiança das partes no trabalho daquele que julgará seu caso: o árbitro.

Diferentemente dos juízos estatais, onde o juiz é designado por sorteio, na arbitragem as partes exercem um papel fundamental na escolha do corpo de árbitros, permitindo, por consequência, que pessoas especializadas na matéria em litígio sejam as escolhidas para julgá-la. Foi com a arbitragem que meu sonho de ganhar a vida me relacionando com gente de todos os cantos do planeta se realizou.

A arbitragem, por seu turno, me trouxe uma outra paixão: as competições acadêmicas de direito ou Moot Court para usar a consagrada expressão inglesa. Essas competições, às quais me dedico há uma década, são uma verdadeira porta de entrada para aqueles que querem advogar na área internacional.

A mais famosa dessas competições é o Vis Moot. Tenho a honra de anualmente levar dois times de faculdades em que leciono para este evento (PUC-SP e UNIPE/PB). Nessa competição, além de estudarem o direito da Arbitragem, os estudantes são testados em suas habilidades de advocacia oral e escrita, e devem dominar a Convenção de Viena sobre Compra e Venda Internacional de Mercadorias (CISG), instrumento que o Brasil ratificou recentemente e que regula as vendas internacionais de mercadorias operadas por empresas brasileiras.

A verdade é que nascemos em uma época fantástica para quem gosta de viajar e conhecer outras culturas. As viagens intercontinentais são relativamente acessíveis e a internet permite uma troca de informações com outros povos nunca antes imaginada. Advogar em arbitragem, especialmente na área internacional, permite que eu viaje o mundo e que aprenda muito com cada árbitro e advogado que encontro e tenho a oportunidade de ouvir.

Como então tornar-se um advogado internacional?

A resposta é que é essencial uma boa formação em línguas, bem como muito estudo em Direito Internacional e no Direito da Arbitragem. Se você já tem essa base, procure um grupo de estudos em sua universidade ou em sua cidade que seja dedicado a formar equipes para essas competições. Por fim, a regra básica para ter sucesso na advocacia: persistência.  Não acredite que isso virá de um ano para o outro: leva tempo, mas se você não desistir, estará numa das profissões mais gratificantes do mundo jurídico.

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6 comentários em “Carreiras no Direito: Advogando na área internacional”

  1. ótima matéria e serve de incentivo. Sou estudante de Direito e já estagiei em algumas áreas, estou finalizando um curso em conciliação e mediação, mas não achava nada atrativo. Como arbitragem é algo do meu interesse e Direito Internacional, resolvi juntar os dois e pesquisar, e quem sabe seguir carreira.

  2. Boa tarde professor Napoleão,
    Eu acabei cruzando com esse site enquanto fazia uma busca para conhecer mais a fundo sobre direito internacional. Eu sou bacharel em direito desde 2013 e sempre tive muita curiosidade em relação ao direito internacional. Quando me formei eu vim morar nos EUA para estudar e aperfeiçoar meu inglês mesmo sem ter tirado a OAB, então não sei se isso dificultaria a atuação na area.
    Eu cheguei a pegar uma classe na universidade de Stanford em American Constitutional law e outras em inglês, na busca por descobrir minha paixão, durante todo esse tempo que estou aqui eu estou desligada do direito, hoje moro em San Francisco e estou muito perdida em relação a carreira, a ideia de direito internacional esta sempre acesa dentro de mim, hoje fui conversar com uma correr counseling e ela me incentivou a fazer uma pesquisa de campo com pessoas que estão imersas atuando nessa area que estou cogitando.
    Gostaria se possível de trocar algumas ideias com o senhor, para ter um vislumbre do que de fato é o dia a dia de alguém que trabalha com o direito internacional, se de repente eu precisaria voltar para o Brasil e tirar uma OAB, ou se poderia atuar sem ela. Eu tenho cidadania Europeia (Espanhola) então penso muito em atuar em algum País que faça parte da Europa.
    Obrigada por colocar suas palavras e pensamentos mundo a fora, me identifiquei muito com o que você escreveu em seu artigo e acho que talvez essa poderia ser uma area que eu me encontraria.
    Abraços,
    Mariana

    1. Olá Mariana! Tudo bem? Eu me identifiquei muito com seu comentário e gostaria de trocar ideias com você a respeito, se você desejar. No meu caso sou o contrário, eu tenho a carteira da OAB mas não exerço. Moro no Brasil (Brasilia). Meu inglês é do básico ao intermediário mas eu queria muito trabalhar e poder viajar, conhecer novas culturas.
      Pensei que talvez a área de Direito Internacional possa ser uma porta.
      Sinto que estou estagnada em minha carreira, especialmente depois que passei em um concurso de nível médio que ganha pouco!
      Mas, enfim, nunca é tarde para recomeçar.
      Se desejar, mande-me um email e vamos conversar um pouco… karinesguimaraes@gmail.com

      Um forte abraço e sucesso!

      At.te,Karine

    2. oi Mariana , tudo bem ? gostei muito do seu comentário a respeito de direito internacional , li algumas matérias sobre Portugal ser a porta de entrada para advogados brasileiros que querem atuar na Europa pela menor dificuldade em se regulamentar , sou estudante de direito e ando pesquisando sobre essa matéria , o direito internacional num todo e estou bem interessado , já tive uma experiência rápida nos estados unidos em 2015 e estou pensando em voltar e fazer alguma especialização voltada para comércio , importação e exportação pois acredito que poderá abrir portas para advocacia , mercado financeiro e ou empresas privadas.
      Se possível queria um briefing seu a respeito da experiência em estudar fora. Grande abraço!

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