A “arte” de procrastinar os estudos e tudo mais na vida

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Comparo o início dos estudos sempre com a “segunda-feira começo o regime”. É fato, sempre surge algum “imprevisto” que o joga o início do regime para outra segunda-feira. Engraçado que nunca na “terça”, mas para outra semana. Somos “artistas” em procrastinar tudo na vida, seja regime ou dieta alimentar, seja aquela consulta com médico, seja o início de uma atividade física, seja aquela visita para os seus pais que moram longe (e perto!), enfim, para tudo nos cercamos de desculpas.

E vamos ser sinceros: a culpa nunca é nossa! Segunda-feira começo a nadar, está paga a academia, mas começa a chover minutos antes de sair. Melhor ficar em casa para não se gripar, outro dia eu dou minhas braçadas. Vou começar minha dieta, só sucos, sem carboidratos ou tentações suaves açucaradas, nem mesmo álcool. Puxa, lembrei que meus amigos irão se reunir no final de semana e vai ter não só churrasco como também pagode. Estou com um resfriado que não passa, preciso marcar um clínico geral, até já andei febril, mas detesto ambiente de consultório com aquelas revistas de dois anos atrás e aquela música irritante de… “consultório’.

Em nenhum momento anterior assumi a culpa da procrastinação. Aliás, o que é procrastinar? Segundo o “Dr. Google”, é adiar ou deixar para depois. O problema não o fato em si, porque nem sempre conseguimos resolver hoje o que gostaríamos ou surgem prioridades que precisam ser solucionadas. O problema é quando tudo se torna para depois. A pergunta que sobra: e este “depois” quando será? Se eu reunir tudo o que preciso fazer e deixar para depois, corro o risco de não resolver nada, não é? Ou resolvo tudo de forma incompleta ou malfeita porque o tempo não permite mais delongar as tarefas.

Quanto aos estudos se aplica o mesmo. Porque não iniciar o preparatório hoje, se você assim já está decidido? E os livros, se você sabe o que tem que ler? Amanhã será tarde, porque no final da preparação ou dos estudos você perceberá que faltou tempo para toda a matéria. Onde está o erro? No começo, na procrastinação!

Percebo outras formas que acontecem não só no início como também durante os estudos. Em apertada síntese, sabe-se que no Exame da OAB são 17 disciplinas. É claro que algumas delas você simplesmente detesta! Como superar esse horror? Para a maioria é fácil: deixar para o fim estas disciplinas ou matérias.

Ocorre que apesar da decisão resolver de forma imediata suas prioridades, ela não soluciona o problema, porque não posso acreditar apenas nas minhas habilidades que julgo “superpoderosas”, pois até o Superman enfrenta problemas com a kryptonita e o Batman sem o seu cinto de mil-e-uma utilidades não passa apenas de um bom lutador. Sei que muitos “ensinam” a assegurar apenas as disciplinas com maior incidência na prova, mas como acabei de digitar, nem sempre gabaritamos o que acreditamos ser os melhores. Quem vai compensar com estes erros? Então vão ficar faltando questões para a aprovação.

Outro problema de deixar para depois o que não gosto ou não tenho paciência ou sofro pela falta de habilidade é sofrer por antecipação com a hora que chegará para ajustar tudo isso. Assim, enquanto era para estar me “divertindo” com o que tenho prazer, fico preocupado com aquilo que deixei para resolver depois. Torna-se uma contagem regressiva para enfrentar o pior. Por exemplo, comer com culpa estraga todo o prazer do momento. Portanto, para evitar este mal é melhor enfrentar o mais difícil em primeiro lugar. Na preparação para OAB e concursos a regra é a mesma.

Ilustrando, se não gosto de Direito Administrativo deve haver uma razão para isso. Coloque no topo de prioridades. Agora, antes de começar, elenque seus problemas com a disciplina. Foi o último professor que você detestou? Ou o livro que estudou? Substitua! Procure melhores opções, tenho certeza que há centenas delas. Não quero lhe prometer, mas é capaz que você mude a sua opinião sobre a matéria, mas ela precisa vir antes do que as outras.

Vencer os piores desafios logo na largada enche a sua autoestima e tudo o que vier depois será com vibração. Não me pergunte como isso acontece, mas os cientistas já comprovaram este fato com inúmeros experimentos em todos os campos sociais.

O importante, sempre, e o mais difícil: é dar o primeiro passo. Mesmo uma maratona de 42 quilômetros. Não é a chegada o grande prêmio, mas você estar consciente que começar a correr poderá lhe levar até o fim do percurso é selar o seu destino rumo à conquista, não importando a colocação, mas a recompensa de uma prova para muitíssimos poucos. Sem o primeiro pulo na piscina, ninguém poderá ser considerado nem nadador amador. A desculpa não está “lá fora”, mas dentro de você. Nos comportamos como crianças, sabemos o que vai acontecer se não parar de pularmos em cima do sofá, porque nossos pais já avisaram. Na procrastinação ocorre o mesmo: mentalizamos o que vai acontecer apesar dos alertas dos nossos instintos, mas insistimos em continuar a ignorá-los. Tipo, “vou pagar para ver”.

Comece hoje o que deixou para iniciar ontem, porque amanhã poderá ser tarde demais.

 


Este artigo foi escrito pelo professor Marcelo Hugo da Rocha, coach do Saraiva Aprova.

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